quinta-feira, 23 de junho de 2011

Temperamentos Transformados




Tim LaHaye apresenta em seu livro “Temperamentos Transformados” uma versão muito interessante sobre a salvação a partir da correção da Alma e do Espírito humano a partir da Palavra, isto é, pelos ensinamentos do Senhor Jesus Cristo e a aceitação do Espírito Santo em nossas vidas. Nessa análise, é muito interessante a conexão entre a explicação biológica e espiritual proposta pelo autor. De acordo com LaHaye, existem conexões entre a carne e o espírito, as quais modelam o comportamento humano a partir do fluxo sanguíneo, a bílis e a fleuma (LaHaye, 2008:10). Essa é uma discussão polêmica no meio acadêmico, mas muito bem conduzida no início do livro, pois são confrontados pontos de vistas diferentes que sinalizam para a sua veracidade.
Para tanto, o autor apoia sua análise na discussão de textos de pensadores e filósofos contemporâneos, entre esses o alemão Emanuel Kant, comparando-os com passagens bíblicas e personagens sagrados da vida cristã. Kant, o filósofo de base conceitual adotado no livro, também é conhecido por sua contribuição em diferentes áreas das ciências humanas, entre essas, a Geografia.
E assim como a Geografia, LaHaye discute as limitações dos conceitos propostos por Kant para analisar o temperamento humano. De acordo com Kant, o temperamento o humano pode ser determinado a partir de quatro modelos teóricos. Esses modelos seriam definidos de maneira objetiva, em grupos de pessoas conhecidas por atitudes Sanguínea, Colérica, Melancólica e Fleumática. Contudo, de acordo com LaHaye, trata-se de uma argumentação frágil, pois, conforme observado nas pessoas no mundo, cada um desses comportamentos podem surgir de maneira proporcional ao longo de suas vidas. Isso significa dizer que uma pessoa pode assumir características de um sanguíneo e colérico simultaneamente, em proporções diferentes, tal como 70% sanguíneo e 30% colérico.
Outro aspecto discutido por LaHaye está vinculado ao fato da sociedade supor que as pessoas que possuem diploma sempre estão certas, no entanto, isso não é verdade. Para justificar essa análise, o autor aponta algumas falhas nas observações psicológicas do ser humano no mundo moderno. Entre essas falhas, o autor apresenta uma crítica severa à Freud, bem como aos seus seguidores contemporâneos. LaHaye é claro ao destacar a ausência da influência de Deus e do Espírito Santo entre os pensadores modernos, os quais discutem o comportamento humano sem considerar essas importantes variáveis na maneira de agir e pensar do indivíduo.
Ainda assim, LaHaye avança em sua análise crítica sobre a teoria dos comportamentos e explica que é possível muda-los, a partir da experiência da santificação do ser humano. Por isso, a ciência moderna é falha e apresenta lacunas ao buscar compreender os problemas humanos. Segundo o autor, somente Deus e o Espírito Santo podem mudar os comportamentos negativos de cada pessoa. Esses comportamentos levam as pessoas a cometerem erros e, principalmente, a pecar.
No entanto, a análise desses comportamentos exige cautela, uma vez que os indivíduos não podem utiliza-las para justificar seus erros e pecados na terra. Outro aspecto crucial também é observado ao se rotular uma pessoa com determinado comportamento e se esperar dela atitudes pré-definidas, como um comportamento específico e causal.
Por esses motivos, de acordo com LaHaye, não é possível determinar um união perfeita entre as pessoas de comportamentos diferentes ou iguais, ou seja, é imprevisível supor o sucesso ou o fracasso de uma união a partir do perfil do comportamento estudado. Isso ocorre porque as pessoas podem mudar seu comportamento, ou então controla-lo de acordo com a doutrina cristã.
Por exemplo, o evangelista Pedro foi considerado um Sanguíneo puro, porque possuía virtudes bem marcantes, entre essas o fato de ser amável, impulsivo, falante e sincero. Para comprovar essas características, LaHaye apresenta várias passagens bíblicas, entre essas, o pedido de Pedro para caminhar sobre as águas juntamente com Jesus. Trata-se de um comportamento totalmente impulsivo, movido por seu coração. Outra passagem impulsiva é observada durante a prisão de Jesus, quando Pedro nega o Senhor por três vezes. Ainda assim Pedro também apresenta alguns defeitos, entre esses, o fato de ser egoísta, interesseiro, fanfarrão, de vontade fraca e inconstante. Contudo, todos esses defeitos podem ser corrigidos com uma única intervenção, que deve ser feita com o controle pelo Espírito Santo em sua vida.
Pedro alcançou o controle de seu comportamento sanguíneo a partir da aceitação do Espírito Santo em sua vida. O evangelista, após essa transformação, passou a evangelizar e tornou-se o primeiro líder cristão. Pedro foi quem proferiu o primeiro sermão após a morte de cristo e isso só foi possível graças à intervenção do Espírito Santo em seu coração.
A transformação de Saulo, um homem cruel, irado e autossuficiente em uma pessoa bondosa, amável, humilde e cheia de paz apresenta o poder da intervenção do Espírito Santo na vida de uma pessoa colérica. Saulo, após receber em seu coração os ensinamentos de Jesus, passou a viver uma nova vida, marcada inclusive pela mudança simbólica de seu nome para Paulo. Para LaHaye, essa mudança de temperamento é um marco bíblico e serve de exemplo para as pessoas que possuem espírito colérico em seus corpos.
Paulo não possuía apenas defeitos, ao contrário, o colérico nato também tinha virtudes, as quais foram prontamente utilizadas pelo Senhor para difundir a Palavra. Essas características contribuíram, entre outras façanhas, para que Paulo pudesse pregar para ao líder máximo do império romano, César. Isso foi possível porque o evangelista possuía autoconfiança, fé, força de vontade e muita persistência. Tais características, quando conduzidas pelo Espírito Santo, são muito úteis ao propósito de Deus, pois transformam essas pessoas em grandes pregadoras, capazes de induzir comportamentos e a aceitação da Palavra nos corações das pessoas.
A frase “fazer a coisa certa pela maneira errada” também resume outra característica do colérico que, movido por sua força de vontade extremada, transforma-se em teimosia, a qual não é muito útil aos propósitos do Senhor. Isso fica claro quando observamos a viagem de Paulo a Jerusalém. Na ocasião, o colérico pagou um preço muito alto por deixa-se guiar por seus sentimentos carnais. Segundo LaHaye, não há indícios que essa viagem tenha sido orientada pelo Espírito Santo, no entanto, Paulo cumpriu seu propósito, uma vez que este conseguiu controlar seu temperamento e transformá-lo de acordo com o desejo do Senhor.
Outro temperamento abordado por LaHaye é o melancólico vivido por Moisés. De acordo com o estudioso, o profeta possuía características importantes, as quais foram fundamentais para que ele conduzisse seu povo em êxodo pelo deserto em busca da terra prometida. Entre essas características destacam-se o desejo do auto-sacrifício, de lealdade e de serviço ao Senhor. Essas particularidades se projetam nas pessoas melancólicas, que também tendem a ser pessimistas, críticas, egocêntricas, depressivas e com complexo de inferioridade.
Essas características negativas foram superadas pela força do Espírito Santo na vida de Moisés, que foi capaz de superar muitos desafios em sua jornada. No entanto, o maior desses desafios estava plantado dentro de si mesmo, uma vez que a pessoa melancólica se sente sem talento e tem medo de prosseguir em busca de um objetivo específico. Moisés foi apoiado por Deus e pelo Espírito Santo em seu coração, quais foram essenciais para transformar seu temperamento em favor das obras do Senhor.
Por sua vez, Abraão foi descrito por LaHaye como uma pessoa calma, sossegada, simpática e agradável, isto é, com traços marcantes de uma pessoa fleumática. Essas características também foram essenciais para que Abraão desempenhasse seu propósito para o Senhor, no entanto, ele também possuía um temperamento que precisava ser transformado pelo Espírito Santo.
No caso de Abraão, um fleumático, a falta de motivação, a passividade, o medo de falhar, a indolência e o temor ao trabalho precisavam ser transformados. Essa transformação foi alcançada com a aceitação do Espírito Santo em seu coração, o qual modificou seu comportamento, deixando-o mais cauteloso, sereno e autoconfiante. Esse marco bíblico pode ser observado durante o sacrifício de Isaque, quando Abraão teve que demonstrar total confiança na Palavra do Senhor. Trata-se de uma superação, um avanço temperamental obtido pela sua santificação.
Por fim, LaHaye deixa claro que qualquer pessoa pode ter seu temperamento transformado com a aceitação do Espírito Santo em suas vidas. Não é correto afirmar que as pessoas pecam ou que erram porque “sempre foi assim”, por causa de seu temperamento. Ao contrário, todos podemos ter os temperamentos transformados, isto é, modificados os comportamentos negativos e valorizados os comportamentos positivos em direção aos ensinamentos do Senhor.
Para tanto, LaHaye sugere que devemos confessar nossos pecados, submeter-se totalmente ao Senhor e ao Espírito Santo, além de pedir e agradecer a Deus por todos os seus atos em nossas vidas, independentemente a nossa vontade. Não é uma tarefa fácil, que exige um exercício mental diário, com a ajuda de todos que estão a sua volta.

Achei esta resenha muito interessante e encontra-se
em:http://vidaeamoremcristo.com/temperamentos-transformados/

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