quinta-feira, 5 de maio de 2011

Crescimento profissional e pessoal - O Poder da Argumentação como ferramenta para o crescimento profissional e pessoal - Seja admirado e respeitado por sua clareza e lucidez



Artigo sobre a Argumentação



A Ciência de Argumentar
por
José Luís da Silva Reis 
Departamento de Engenharia Informática 
Universidade de Coimbra 
3030 Coimbra, Portugal 
jreis@student.dei.uc.pt
          Resumo - Sugerem-se regras essenciais para argumentos curtos e descrevem-se os passos  a ter no desenho de um ensaio argumentativo. 
         Palavras chave - Ensaio argumentativo, argumentação, argumentar.
1. Introdução 
Em praticamente todos os domínios profissionais e no próprio quotidiano, existe uma necessidade de procurar o mais correcto, o mais aceitável e o mais verdadeiro. A Rulebook for Arguments, de Anthony Weston [1]  pode ser uma referência inicial.  Seguidamente, apresentam-se algumas bases da argumentação, abordam-se alguns dos argumentos curtos mais comuns e introduz-se-se brevemente o modelo de construção de um ensaio argumentativo.
2. Regras para sustentar opiniões
2.1 Regras básicas 
          2.1.1 Distinguir premissas de conclusões 
Para se provar alguma coisa, é vital conseguir isolá-la e diferenciá-la de tudo o resto para a tornar clara para os nossos interlocutores. Ao que se conhece e se pode assumir como verdadeiro dá-se o nome de conjunto das premissas e elas são o suporte que podem tornar verdadeira a conclusão. 
         2.1.2 Organizar a sequência das ideias 
Independentemente da posição relativa entre as premissas e a conclusão cada ideia exposta deve levar, o mais naturalmente possível, à seguinte.
         2.1.3 Argumentar apartir do que é verdadeiro 
A veracidade da conclusão dependerá, em muito, da objectividade e da aceitação geral daquilo que apresentar para a sustentar. O argumento é tão mais facilmente desmontável quanto mais fracas forem as premissas apresentadas.
         2.1.4 Usar uma linguagem específica, precisa e concreta 
Qualifique o menos possível e quantifique o mais que se poder. Evite o vago, o geral, o abstracto.
         2.1.5 Esclarecer vs manipular 
O uso das emoções só convence os apoiantes e afasta ainda mais os opositores. Apele à razão, e não ao coração, evitando conceitos que possam induzir ideias secundárias em relação às que quer apresentar.
         2.1.6 Usar termos consistentes 
Cada ideia deve ser representada por um conjunto bem definido de termos, de modo a que as ideias fiquem igualmente bem definidas. Diferentes referências a um mesmo conceito devem-se afastar o menos possível. 
         2.1.7 Clarificar o sentido de cada termo 
Defina bem o domínio dos seus termos para evitar inconsistência nas suas representações. Cada termo deve corresponder a um único significado de modo a evitar ambiguidades.
2.2 Argumentar com base em exemplos 
Os argumentos que se baseiam em exemplos tentam generalizar verdades que se verificam num determinado conjunto de exemplos
         2.2.1 Representatividade dos exemplos 
Quanto maior for a amostra, em que se baseiam as premissas, mais próxima da realidade estará a conclusão. Mesmo assim, não basta que o exemplos sejam muitos: é também necessário que eles abranjam, o melhor possível, toda a gama de exemplos.
         2.2.2 A informação de fundo é essencial 
Mais importante do que os dados relativos (frequências ou percentagens), muitas vezes enganadores, são os dados absolutos, que relatam mais fielmente o caso particular de uma realidade, ou então os dados com os quais se está a estabelecer uma relação. 
         2.2.3 Contra-exemplos 
O conhecimento de contra-exemplos permite preparar melhor a defesa de um argumento: tente observar se os contra-exemplos não estão realmente em conformidade com a generalização. 
2.3 Argumentar com recurso a analogias 
Neste caso, pretende-se concluir sobre determinada situaçao generalizando apartir de um exemplo. 
         2.3.1 Compatibilidade entre exemplo e o argumento 
Entre o exemplo e o argumento tem de existir algo de semelhante e proporcionalmente comparável. 
2.4 Argumentar recorrendo a autoridades 
Nem sempre é possível argumentar sem recorrer a conclusões de outrem. Por outro lado, o recurso a argumentos de autoridade também evita a re-invenção da roda.  
          2.4.1 Citar as fontes 
Em casos em que os argumentos de autoridade possam levantar algumas reservas, devem ser citadas as suas origens para validar as premissas e permitir a verificação do que é afirmado.
         2.4.2 Qualificação as fontes 
Uma fonte estará qualificada para numa determinada área se possuir informação e bases correspondentes. As opiniões de determinada autoridade podem não ter que ser reconhecidas se não se enquadrarem da sua área.
         2.4.3 Imparcialidade das fontes 
Deve-se evitar o apoio de argumentos em opiniões de fontes com eventuais interesses sobre o assunto em que opinam.
         2.4.4 Comparar as fontes  
De nada servirá uma fonte, por mais credível que seja, se exitir uma outra igualmente credível mas com opiniões divergentes. A melhor fonte será aquela cujas opiniões sejam confirmadas pelas organizações independentes mais ligadas ao assunto.
         2.4.5 Ataques pessoais não desvalorizam a fonte 
As fontes podem ser acusadas de falta de informação, parcialidade ou falta de consenso. Outras acusações só desvalorizam o(s) seu(s) autor(es). 
2.5 Argumentar sobre causas 
Sempre que se correlacionam dois factos, de modo a existir entre eles uma relação causa-efeito, está-se a argumentar sobre causas.  
         2.5.1 Explicar como a causa conduz ao efeito 
Não basta mencionar que a causa produz determinado efeito: é também necessário fornecer um meio possível que leve a causa a provocar o efeito.
         2.5.2 Mostrar que a causa é a mais plausível  
Normalmente um efeito pode ter várias causas possíveis. Por isso, a causa, além de ser justificada, deve ser defendida a sua maior probabilidade perante todas as outras.
         2.5.3 Correlacionar causa e efeito 
Deve-se eliminar a probabilidade de poder existir coincidência na relação entre causa e efeito.
          2.5.4 Falsas correlações 
Factos que parecem estar correlacionados podem não ter uma relação de causa-efeito mas, por outro lado, podem ser dois efeitos de uma mesma causa.
         2.5.5 Correlações bi-direccionais 
Se for tão aceitável que o efeito conduza à causa como a causa coduz ao efeito, nenhuma das direcções da causalidade pode ser assumida isoladamente. 
2.6 Argumentos dedutivos 
Os exemplos são sempre válidos até surgirem novos exemplos. Mesmo as fontes imparciais e bem informadas podem estar erradas. Estes graus de incerteza desaparecem quando a verdade das premissas é suficiente para garantir que também a conclusão é verdadeira - formas dedutivas.
         2.6.1 Modus ponens 
Estes argumentos têm a forma "se facto A então facto B; põem-se A obtém-se B". Esta forma ("o modo de por"), traduz uma implicação entre a verdade da permissa e a verdade da conclusão. 
          2.6.2 Modus tollens 
A forma destes argumentos é "se facto A então facto B; tira-se B perde-se A". Esta 
forma ("o modo de tirar"), traduz um implicação entre a não verdade da conclusão e a 
não verdade da premissa.
          2.6.3 Silogismo hipotético 
Estes argumentos obtêm-se quando se encadeiam vários argumentos com a forma de "modus ponens", em que a conclusão de um é a premissa do próximo. Assim a sua forma é "se facto A então facto B, se facto B facto C, se facto C então facto D; coloque-se A e obtém-se D". 
          2.6.4 Silogismo disjuntivo 
Estes argumentos assumem a forma "pelo menos um dos facto A ou B é verdardeiro; A não é verdadeiro então B têm de ser". 
          2.6.5 Dilema 
Um dilema tem a forma "pelo menos um dos facto A ou B é verdardeiro, se facto A então facto C, se facto B então facto D; então C ou D". 
          2.6.6 Redução ao absurdo (reductio ad absurdum) 
Esta versão do modus tollens tem a forma "será o facto A verdadeiro?, assuma-se que o facto A não é verdadeiro, obtenha-se que o facto B é verdadeiro, demonstre-se que o facto B é falso; então A".
2.7 Explorar o tema do ensaio argumentaivo 
Quando é preciso interligar vários argumentos curtos ou quando um argumento curto necessitar de uma defesa mais elaborada, o ensaio argumentativo pode ser a resposta. 
          2.7.1 Ter em conta os argumentos de todas as posições 
Conhecer bem o argumentos mais fortes, de cada uma das posições existentes sobre o assunto, é fundamental para os questionar e obter uma opinião bem formada que possa ser defendida com argumentos sólidos e que tenha poucos pontos fracos. 
         2.7.2 Avaliar e defender cada premissa 
Se as premissas poderem ser postas em causa não se devem ignorar os argumentos contra ou a favor das mesmas.
         2.7.3 Recapitular argumentos à medida que surgem 
Uma opinião depende sempre da informação que se dispõem no momento. Argumentos recentes podem entrar em colisão ou revitalizar outros. A própria opinião pode sofrer uma rotação de 180º devido à descoberta de novas conclusões ou à falta delas. O importante é conseguir definir uma posição decidida e coerente e que possa ser suportada.
2.8 As partes principais de um ensaio argumentativo 
Depois de se chegar a uma posição inconfundível, chega a altura de organizar o que se descobriu, para poder apresentar, eficazmente, tudo aquilo que necessita de ser abordado. 
          2.8.1 Explicar a questão 
Deve-se começar por esclarecer e justificar o assunto do qual se vai mostrar opinião. 
Para isso deve-se ter em conta o receptor que pode não estar consciente ou nem sequer informado sobre o tema.
          2.8.2 Disparar a opinião 
Em seguida formula-se, de uma maneira clara e directa, uma proposta ou conclusão a que se tenha chegado. Se o objectivo não for o se assumir uma posição mas o de confrontar outras então é isso mesmo que se deve afirmar, também de uma forma inconfundível.
          2.8.3 Esgotar os argumentos 
É preferível trabalhar e desenvolver a fundo um ou dois argumentos, dos mais importantes, do que apresentar superficialmente todos os argumentos correndo-se o risco de entrarem em conflito ou de ficarem frágeis. Esta é a altura de mostrar que a proposta resolve o problema, como é que se chegou à conclusão ou expor o que se vai confrontar seguido da explicação do resultado da avalição. 
          2.8.4 Considerar pontos fracos 
Antecipar possíveis objecções, argumentando que o compromisso entre pós e contras é favorável à ideia exposta. 
          2.8.5 Considerar alternativas 
Não basta expor muito bem a proposta: é também necessário demonstrar que ela é a melhor entre as possíveis.
2.9 Escrever um ensaio argumentativo 
Só depois de explorado e esboçado se procede à escrita do ensaio argumentativo. 
          2.9.1 Seguir o esboço 
Não se deve alterar a ordem dos 5 pontos atrás descritos. Se houver necessidade de alterar a ordem de alguns dos pontos para que o conjunto forme um todo harmonioso então deve-se rever o esboço.
          2.9.2 Introdução breve 
A introdução deve ser bastante curta e focar aspectos relevantes dando um aspecto do todo.
          2.9.3 Apresentar argumento a argumento 
Cada argumento pode ter: um parágrafo onde é apresentado e um parágrafo por cada premissa, onde é explicado e defendido. 
          2.9.4 Clarificar, clalificar, clarificar 
Por muito clara que possa parecer a relação entre dois factos, por muito claro que possa parecer um conceito não se deve deixar de o expor e clarificar, principalmente se for fundamental para o objectivo a alcançar.
         2.9.5 Sustentar as objecções com contra-argumentos 
Desenvolver e desmantelar argumentos contrários, não tão profundamente como os a favor, não só defende a proposta como também a reforça e justifica. 
          2.9.6 Afirmar apenas o que se mostrou 
Sumarizar os pós e os contras do tema em questão sem exageros e humildemente afirmar a convicção na proposta defendida.
3. Conclusões 
Estes tópicos permitem ter uma iniciação breve necessária a qualquer tarefa em que seja preciso suportar afirmações de uma forma objectiva como a investigação ou a tomada de opinião. Como tal, não dispensa a consulta da referência nem tão pouco de um estudo mais aprofundado da literatura existente.
Agradecimentos 
O autor agradece aos responsáveis pela criação e manutenção da cadeira de Comunicação Técnica e Profissional / Sociedade Profissão e Ética pela oportunidade de realizar este trabalho que, com certeza,  irá contribuir imenso para o seu futuro profissional. Este trabalho foi realizado ao abrigo do objectivo, que o autor tinha, de realizar a cadeira anterior com aproveitamento aceitável.
Referências 
1. A Arte de Argumentar, 2ª edição, Anthony Weston. 

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